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Canal da Costa expõe urgência na recuperação dos rios

19 de fevereiro de 2026

Experiência da Segunda Descida do Rio Sena, apresentada na Comissão de Meio Ambiente, reforça necessidade de fiscalização e ação integrada em Vila Velha, defende ambientalista

As soluções adotadas no Rio Sena, na França, que podem contribuir para a recuperação do Rio Doce e de rios urbanos como o Rio da Costa, em Vila Velha, pautaram a reunião da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado estadual Fabrício Gandini (PSD), na última terça-feira (10).

Durante a apresentação dos resultados da Segunda Descida Ecológica do Sena, representantes do River Planet — organização que atua pela preservação dos rios — destacaram medidas práticas de saneamento, drenagem e controle de resíduos, com foco também em cursos d’água urbanos de alta visibilidade, como o Rio da Costa, mais conhecido como Canal da Costa.

O ambientalista Alberto Pêgo citou o Canal da Costa, com apenas 6,5 quilômetros de extensão, como um caso emblemático.

“É o nosso rio de maior visibilidade, por onde passam milhares de carros todos os dias, no coração de Vila Velha, desaguando em Vitória, na capital do Estado. E é um rio que recebe grande quantidade de lixo e esgoto, mesmo com quase 100% da rede de coleta passando na porta das casas”, observou.

Pêgo ressaltou que a estação de tratamento responsável pela região teve a capacidade ampliada, mas o rio ainda recebe esgoto e resíduos de forma irregular.

“Isso é falha de ligação e de fiscalização. Tem muito condomínio que não está ligado à rede. Não pode isso. A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Araçás foi ampliada: tratava 300 litros por segundo, passou para 600 e deve chegar a 900”, afirmou.

E completou: “A estação já tem capacidade para tratar o esgoto. Não há mais desculpa para o Rio da Costa continuar com lixo, esgoto e água escura e com mau cheiro”.

O ambientalista também alertou para o impacto negativo na imagem do Estado. “O Espírito Santo não pode passar vergonha internacional com essa situação. O turista que desce a Ponte vê o rio nessa condição logo na entrada da cidade”, disse.

Para enfrentar o problema, Pêgo defende articulação entre os governos estadual e municipal e as concessionárias.

“É preciso reunir os responsáveis: governo do Estado, Cesan, a Aegea — que atua por meio de PPP — e a prefeitura. A rede existe e o tratamento também, mas há muito esgoto clandestino sendo lançado na drenagem pluvial. É preciso sair do comodismo. Essa paisagem não é natural”, afirmou.

Ele lembrou ainda que o rio já foi utilizado para lazer no passado. “Tenho 61 anos e já tomei banho nesse rio nas décadas de 70 e 80. Em poucas décadas ele se degradou e todos se acostumaram. Não podemos ficar calados”, declarou.

Segundo Pêgo, a experiência francesa mostra que rios urbanos podem ser recuperados com infraestrutura, monitoramento e gestão contínua.

“Na França, o rio é tratado como patrimônio da cidade. Aqui, muitas vezes, ainda é visto como fundo de quintal”, comparou.

O deputado estadual Fabrício Gandini (PSD), presidente da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia, destacou a importância da ação integrada.

“A Comissão está colocando luz sobre pontos críticos como o Canal da Costa. Precisamos de integração entre Estado, município e concessionárias para resolver o problema na origem”, declarou.

Participaram da reunião representantes do River Planet, da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) e da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Seama).